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Vivemos uma ditadura gay, diz Marco Feliciano

O pastor acredita que a Comissão de Direitos Humanos e Minorias precisa tratar de forma igualitária todos os temas que lhe compete

Em artigo escrito para o jornal Folha de São Paulo o deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP) comentou sobre as críticas que tem recebido principalmente de ativistas do movimento LGBT contra sua indicação ao cargo de presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados.

No texto, Feliciano, um dos pastores evangélicos mais conhecidos do país, explica os motivos que o levaram a ser considerado como racista e ainda mostra sua posição sobre os projetos como a PL 122/2006 e a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a união entre pessoas do mesmo sexo.

Ele acredita que suas respostas foram interpretadas de forma errônea e usadas contra ele. “Jogada ao vento, essa mentira causa estragos à imagem do acusado perante a opinião publica. Vivemos uma ditadura gay”, escreveu.

No texto Feliciano relembra que no ano passado tentou participar de um seminário organizado pela CDHM sobre a diversidade sexual na primeira infância, mas graças aos manifestantes do movimento gay que estavam presentes ele não conseguiu falar.

“Foi me dado um minuto para falar, mas não consegui. A militância não permitiu.”
Outro ponto destacado pelo pastor foi sobre os temas apresentados naquele dia. “Foi desesperador ouvir dos que ali estavam que se um menino na creche, na hora do banho, quiser tocar o órgão genital de outro menino não poderia ser impedido. Afinal, segundo eles, criança não nasce homem nem mulher e sim gênero e se descobre com o tempo. Se forem impedidos na primeira infância, sabe-se lá o que pode acontecer…”

Aproveitando o espaço concedido pelo jornal, um dos mais respeitados do Brasil, Feliciano falou sobre suas intenções como presidente da Comissão, afirmando que os grupos defendidos pelo órgão precisam de atenção igual. “Essa comissão é muito mais importante do que discussões rasas. Peço a Deus sabedoria para levar adiante tão honrosa missão.”

Leia:

“Dias atrás, o deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP) foi sugerido para o Ministério da Ciência e Tecnologia. Houve protestos de alguns da comunidade científica pelo simples fato de ele ser católico praticante e seu nome foi vetado. Agora é a vez de um pastor evangélico ser questionado para presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados. Perseguição religiosa?

A presidência da CDHM, pela proporcionalidade entre legendas, ficou com o meu partido, o PSC. A indicação do meu nome gerou um furacão de manifestações dissimuladas pela internet por parte de militantes da comunidade GLBTT (gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais). Algumas me acusaram de ser racista e homofóbico.

Tudo teve início quando postei na internet que os africanos são descendentes de um “ancestral amaldiçoado por Noé”. Referia-me a uma citação bíblica, segundo a qual o filho de Noé, após ser amaldiçoado pelo pai, foi mandado para a África. A maldição foi quebrada com o advento de Jesus, que derramou seu sangue para nos salvar. Não usei a palavra negro, pois me referia a um povo definido por uma região e não pela cor de sua pele.

Sou pastor e prego para pessoas de todas as etnias. Nunca, nem antes nem depois desse episódio, fui considerado racista, inclusive porque corre em minhas veias sangue negro também. Amo o continente africano. Sou querido pelo povo de Angola, onde fiz trabalhos.

Sobre homossexuais, minha posição é mais tolerante do que se pode imaginar. Como cristão, aprendi no Evangelho que somos todos criaturas de Deus. Nunca me dirigi a nenhum grupo de pessoas com desrespeito. Apenas ensino o que aprendi na Bíblia, que não aprova a relação sexual nem o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo. Fora isso, a salvação está ao alcance de todos. Essa é a minha fé –só prego o amor e o perdão.

No entanto, esses militantes GLBTT rotulam como homofóbica qualquer pessoa que discordar de suas posições. Acusam de incitação à violência, o que qualquer pessoa isenta sabe que não é verdade. Mas, jogada ao vento, essa mentira causa estragos à imagem do acusado perante a opinião publica. Vivemos uma ditadura gay.

No ano passado, tentei participar de um seminário organizado pela CDHM e presidido pelo deputado Jean Wyllys. Apavorei-me com o tema: diversidade sexual na primeira infância. Fui recebido com palavrões pelos militantes GLBTT. Foi me dado um minuto para falar, mas não consegui. A militância não permitiu.

Foi desesperador ouvir dos que ali estavam que se um menino na creche, na hora do banho, quiser tocar o órgão genital de outro menino não poderia ser impedido. Afinal, segundo eles, criança não nasce homem nem mulher e sim gênero e se descobre com o tempo. Se forem impedidos na primeira infância, sabe-se lá o que pode acontecer…

A fúria deles é por saber que questiono suas pretensões. Defendo a Constituição e ela precisaria ser alterada para aprovar suas lutas.

Não se pode tratar naquela comissão apenas desses assuntos. É preciso isonomia. Outros grupos precisam de igual atenção.

Existem assuntos que caíram no esquecimento. Os brasileiros que estão aprisionados de maneira sub-humana em diversos países como imigrantes ilegais. A demarcação das terras dos quilombolas. O tráficos de mulheres e de órgãos. O atendimento das famílias dos autistas. Os portadores de necessidades especiais. Não basta aprovar leis, é preciso saber se estão sendo respeitadas.

Por que a CDHM não questiona o Executivo sobre manter relações comerciais com um país que condena à morte pessoas por sua opção religiosa ou sexual, como o Irã?

Essa comissão é muito mais importante do que discussões rasas. Peço a Deus sabedoria para levar adiante tão honrosa missão.

MARCO FELICIANO, 40, pastor evangélico, é deputado federal pelo PSC-SP”

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