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Para impedir manobras contra o impeachment, oposição cogita salvar mandato de Cunha

eduardo-cunhaEnquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) não define o rito do impeachment contra a presidente Dilma Rousseff (PT), as disputas políticas de bastidores continuam a todo vapor em Brasília, e o presidente da Câmara dos Deputados, o evangélico Eduardo Cunha (PMDB-RJ), estaria negociando a renúncia ao cargo para salvar seu mandato de uma provável cassação no Conselho de Ética.

Preocupada com a possibilidade de Cunha ainda ter cartas na manga para reter o impeachment numa barganha com o governo, ou que ele acelere o trâmite do processo para beneficiar o governo com a mesma finalidade, a oposição iniciou um diálogo para votar a seu favor no Conselho de Ética em troca de sua renúncia à presidência da Câmara.

Caso a estratégia seja bem sucedida, os partidos de oposição se juntariam à ala rachada do PMDB para eleger um novo presidente que seja favorável ao impeachment de Dilma.

“A oposição não acredita na viabilidade de um processo de impeachment com Cunha no comando da Câmara – por isso, trocaria sua saída imediata da presidência por seu mandato. Ainda por essa articulação, que passa, entre outros pelo deputado Mendonça Filho, Jarbas Vasconcelos seria eleito presidente da Câmara, com legitimidade para tocar o impeachment para frente”, informou Lauro Jardim, em sua coluna no site do jornal O Globo.

Temer engajado

Pelos lados do PT, a previsão é que o vice-presidente Michel Temer (PMDB), mesmo que discretamente, articule alas do partido para que o impeachment seja posto em prática.

No Palácio do Planalto, a equipe de Dilma estaria convicta de que após o desabafo feito por Temer através da carta enviada à presidente, ele não recuaria e agiria de forma cada vez mais aguda para que ele seja empossado: “Antes, sua conspiração seria, ainda sob essa visão, intramuros, dissimulada. Agora, não mais. Uma conclusão óbvia, aliás. E, por isso, está se preparando para a guerra de todas as formas”, informou Jardim.

O ex-presidente Lula também compartilharia a mesma visão, segundo informações de Guilherme Amado, colunista de O Globo: “Numa conversa com Luiz Fernando Pezão [governador do Rio de Janeiro, filiado ao PMDB e aliado de Dilma], na semana em que foi aceito o pedido de impeachment, Lula avaliou que Michel Temer vai se empenhar para ser presidente — algo compreensível para o ex-presidente. Disse Lula: ‘O Temer sabe que não seria eleito no voto. Ser presidente por três anos coroaria a carreira dele’”.

Um dos indícios que apontam que a postura do vice-presidente é de ataque está na articulação que ele vem mantendo com a ala dissidente de seu partido. A jornalista Vera Magalhães, de Veja, informou que Temer teria pedido a Dilma que não interferisse na disputa interna do PMDB.

No entanto, o pedido teria sido ignorado, e o ministro-chefe da Casa Civil, Jacques Wagner (PT-BA), teria, sob ordens de Dilma, mantido conversas com parlamentares do PMDB que atualmente são pró-governo, numa tentativa de fazê-los lutarem contra a tendência de rompimento da legenda com o PT e o governo.

A reação do vice-presidente teria sido clara e objetiva, e numa comunicação direta a Jacques Wagner, Temer o alertou sobre seu “último aviso” para recuar: “O grupo de Temer diz que, a insistir na intervenção em assuntos internos do partido, o governo precipitará o rompimento definitivo com o vice”, publicou Magalhães.

Gospel Mais

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