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Manter-se em Cristo num país em crise




“Digam aos justos que tudo lhes irá bem, pois comerão do fruto de suas ações”. (Isaías 3.10)

Vivemos um momento de crise religiosa, financeira, política e moral em nosso país. Isso envolve absolutamente tudo que diz respeito a nós.

Já ouvi alguém dizer em uma pregação que o mundo pode estar em crise, mas o Céu nunca estará. O problema é que ainda não estamos no Céu, e para que a oração “Assim na terra como no Céu” se concretize, dependerá de nossos atos.

O fato é que a Bíblia nos faz uma promessa, a de que Deus irá nos dar uma paz que excede todo entendimento (Fp 4.7). Jesus também afirmou: “Deixo-lhes a paz; a minha paz lhes dou. Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbem os seus corações, nem tenham medo”. João 14:27

 Percebam, a paz que Jesus quer nos dar é a paz dele mesmo. Essa paz Jesus a tinha por ser obediente ao Pai.No capítulo 3 de Isaías, Deus diz que seu povo seria envolto em uma crise de proporções alarmantes em decorrência do pecado. Mas há uma promessa no verso 10: a de que os justos não sofrerão as consequências dessa crise; não porque Deus os protegeria, mas porque eles comeriam do fruto de suas ações.

O justo encontra a paz em meio à crise porque se comporta como Jesus, em obediência resoluta.

Portanto, diante das crises nosso desafio é:

Manter a integridade

O justo precisa manter-se integro, pois, uma das grandes tentações em um momento de crise é a de dançar conforme a música.

Pedro no momento de crise negou a Jesus porque quis dançar conforme a música. Por isso nós somos convidados a sempre estar atentos à melodia do Céu.

Numa crise de fé causada pelos maus testemunhos de líderes ou membros, ou ainda pelas heresias que se vê hoje em dia, alguém pode simplesmente pular fora do barco que é a Igreja; numa crise financeira alguém pode se render à alguma atividade ilícita com o pretexto de que é a única maneira de sobreviver; alguém pode apoiar posições políticas completamente contrárias à Palavra de Deus simplesmente porque a corrupção dos políticos o deixou irado e com um desejo de justiça à qualquer preço.

Numa crise existencial alguém pode se render aos vícios ou paixões em busca de preencher o vazio.

Manter-se integro é mais que um desafio de fé, é também a garantia de que temos uma identidade, de que não somos hipócritas, ou que só seguimos a Deus quando tudo sopra em nosso favor.

Alguém poderá argumentar que sobreviver muitas vezes pode significar se adaptar ao meio. Porém, para um servo de Deus, a caminhada cristã é sacrificial. Mais vale passar necessidade e sofrer do que ser causa de tropeço ou abandonar ao Senhor. “Vocês são o sal da terra. Mas se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens”. Mateus 5:13 (o sal sem sabor era usado apenas pra demarcar trilha).

As crises passam, sejam elas quais forem, mas alguém que perdeu sua integridade, que se vendeu, se maculou, assumiu uma postura diferente no momento de provação, este se encontrará confuso; sua identificação com Cristo foi arruinada e é duro o caminho da volta, humilhante e, por vezes, frustrante. (Pedro conseguiu, Judas não).

Meus irmãos, não nos deixemos levar pelos momentos de crise, não percamos nossa identificação com Cristo. Você precisa todo dia reafirmar a si mesmo que está buscando à semelhança de Cristo e não o seu prazer pessoal absoluto.

Somente quando agirmos em todas as circunstâncias na semelhança de Cristo é que encontraremos paz na tempestade, e para isso Ele nos deu o seu Espírito. Entenda, o preço da paz é caro, mas não há nada melhor do que tê-la.

Pessoas integras vivem a paz de saber que não são moldadas segundo as circunstâncias. Quanta paz se perde quando o que somos depende da situação em que estamos.

Em tempos de crise é necessário:

Fazer o certo ainda que nos custe caro, pois o justo espera colher mais para a eternidade do que para o tempo presente

Mas alguém pode questionar que estamos vivendo o agora, e que é preciso se manter de uma forma ou de outra nesse tempo presente.

Na verdade, é preciso compreendermos que estamos no mundo com o único fim de viver para a glória de Deus. Para o cristão, tudo perde o sentido se ele não puder viver da maneira que Deus quer que ele viva.

Portanto, ser relativo quanto a maneira de proceder é uma forma de negar a confiança naquele que afirmamos crer ser soberano.

Quando um cristão rebaixa seus conceitos com medo do que possa perder no tempo presente, ele não crê de verdade no supremo prêmio da eternidade. “… pois os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles. Assim, fixamos os olhos, não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno”. 2 Coríntios 4:17,18

O que temos visto em nossos dias é aterrador, uma relativização de tudo, e isso chegou naturalmente ao povo de Deus. A Palavra de Deus tem sido vista por muitos crentes como algo que pode ser relativo dependendo da situação em que estejam.

Para muitos ditos “cristãos”, para se proteger, para se guardar de toda e qualquer privação ou sofrimento, vale a pena passar por cima daquilo que o Senhor nos ordena. E é interessante notar que os primeiros cristãos, ao contrário da maioria de hoje, achavam um privilégio padecer por causa do Evangelho.

Meus irmãos, nós fomos chamados para carregar uma cruz, e isso significa muitas vezes ser humilhado publicamente, perder privilégios que outros manterão pela desobediência a Deus.

Cabe a nós fazermos a escolha entre padecer e com Cristo reinar para sempre, ou desfrutar do prazer momentâneo e nunca vermos a sua face. Pode parecer duro o que digo, mas não podemos chamar de cristãos aqueles que não tem o desejo e o prazer de obedecer ao seu Senhor (Jo 8.12; 14.21; I Jo 3.8; Ef 4.27).

Deus nos deu seus mandamentos como uma forma de nos mostrar nossa incapacidade humana de os cumprirmos. Por isso, nos é dado juntamente com Cristo a presença gloriosa do Espírito Santo em nós, de maneira que pudéssemos ter a capacidade e o desejo de obedecermos a Deus em toda e qualquer circunstância, para que obtenhamos a sua paz.

O Senhor deseja que sejamos fiéis, e o melhor é que Ele sempre honrará nossa fidelidade. A fé nos faz desejar fazer a vontade de Deus sabendo que nunca será em vão. Teremos seus frutos aqui ou na eternidade (Gl 6.9).

Por isso em meio às crises é necessário:

Olhar mais para Deus do que para as circunstâncias

Os momentos difíceis atraem nossa atenção de maneira tal que muitas vezes nos vemos tão envolvidos pela situação que perdemos de vista o nosso Deus. Por isso, a Palavra de Deus nos chama a orar em todo o tempo: “Orem no Espírito em todas as ocasiões, com toda oração e súplica; tendo isso em mente, estejam atentos e perseverem na oração por todos os santos”. Efésios 6:18

A oração nos fará mantermos atentos à presença de Deus.

Mas, e se por algum motivo você não conseguir orar? Seja pela fraqueza emocional proporcionada pelo problema, ou por uma apatia espiritual que se instaurou em você?

Quando não conseguir falar, apenas ouça Deus. Ele nos fala pela Bíblia. Leia a Bíblia, ouça a Deus. E depois com certeza você sentirá o desejo de respondê-lo.

Mas, e se por acaso a sua debilidade for tão grande que você não consiga ter ânimo de ler a Bíblia?

Venha ao culto. No culto a presença de Deus se faz de maneira gloriosa. O culto nos fortalece e sempre aponta nosso coração em direção a Deus.

Mas se por algum motivo maior você não tem vontade de vir a um culto?

Peça a alguém que ore por você. As trevas lhe envolveram de tal forma que todo o seu desejo por Deus foi consumido. Mas lembre-se de que, na maioria das vezes, não vamos ao encontro de Deus. É ele que vem ao nosso encontro, porque nos ama. O bom pastor não deseja perder nenhuma de suas ovelhas

Todo o conteúdo é de total responsabilidade do autor.
João Eduardo Cruz



João Eduardo Cruz

Pastor da Primeira Igreja Batista em Planalto Caucaia – Ceará. Professor. Teólogo; Autor dos livros “Como o nascer do sol”(Editora Premius), “Onde está Deus? – Crendo em Deus em um mundo descrente”(Abba Press), “Sentindo a Vida” (Editora Reflexão), “O que as crianças nos ensinam sobre Deus (Garimpo) e “Jesus e os descaminhos da Igreja” (Garimpo).

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