{"id":14555,"date":"2014-10-25T16:44:47","date_gmt":"2014-10-25T16:44:47","guid":{"rendered":"http:\/\/itingagospel.com.br\/portal\/?p=14555"},"modified":"2014-10-31T19:23:27","modified_gmt":"2014-10-31T19:23:27","slug":"devemos-ou-nao-julgar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/itingagospel.com.br\/portal\/devemos-ou-nao-julgar\/","title":{"rendered":"Devemos ou n\u00e3o julgar?"},"content":{"rendered":"<h2>O Significado de julgar<\/h2>\n<p><a href=\"http:\/\/itingagospel.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/images-2.jpg\" rel=\"lightbox[14555]\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-14556\" src=\"http:\/\/itingagospel.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/images-2.jpg\" alt=\"images (2)\" width=\"230\" height=\"160\" srcset=\"https:\/\/itingagospel.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/images-2.jpg 230w, https:\/\/itingagospel.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/images-2-200x139.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 230px) 100vw, 230px\" \/><\/a>Sempre ouvimos express\u00f5es como \u201cn\u00e3o toqueis nos meus ungidos\u201d, \u201cn\u00e3o julgueis para n\u00e3o serdes julgados\u201d, ou frases afins, sendo utilizadas com o intuito de contrariar a pr\u00e1tica do julgamento doutrin\u00e1rio.<\/p>\n<p>Antes de mais nada, faz-se importante conceituarmos a palavra \u201cjulgar\u201d, pois somente assim poderemos fazer o bom e correto uso dessa ordenan\u00e7a b\u00edblica.<\/p>\n<p>De acordo com a <em>International Standard Bible Encyclopedia<\/em>, as palavras \u201cdiscernir\u201d e \u201cdiscernimento\u201d ocorrem em tr\u00eas formas no Novo Testamento (<em>dokimazo<\/em>, <em>anakr\u00edno<\/em> e <em>diakr\u00edno<\/em>).<a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_edn1\" name=\"_ednref1\">[1]<\/a> Duas delas t\u00eam raiz no verbo <em>krino<\/em>, cujo significado \u00e9 \u201cpeneirar\u201d, \u201cdistinguir\u201d, \u201cselecionar\u201d, \u201cseparar\u201d, \u201cdecidir\u201d ou \u201cjulgar\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com Vine, <em>dokimazo <\/em>significa distinguir, por \u00e0 prova, provar, examinar, julgar com a expectativa de poder aprovar. \u00c9 encontrada em 1 Ts 5.21 na ordenan\u00e7a de Paulo para avaliarmos todas as coisas, em Lc 12.56 no questionamento de Jesus aos fariseus sobre o discernimento do tempo e em Gl 6.4 no sentido de p\u00f4r \u00e0 prova nossas pr\u00f3prias obras.<\/p>\n<p>O verbo <em>anakr\u00edno <\/em>significa distinguir, examinar, esquadrinhar, interrogar, separar com o fim de investigar em um exame exaustivo. Esta palavra \u00e9 usada por Lucas em 23.14, citando uma fala de Pilatos: \u201cApresentastes-me este homem como pervertedor do povo; e eis que, <em>interrogando-o<\/em> diante de v\u00f3s, n\u00e3o achei nele nenhuma culpa, das de que o acusais\u201d. Ela tamb\u00e9m ocorre em 1 Co 2.14 e 1 Co 4.3.<\/p>\n<p><em>Diakr\u00edno<\/em> significa distin\u00e7\u00e3o, discrimina\u00e7\u00e3o clara, discernimento e ju\u00edzo. Aparece em 1 Co 12.10 na rela\u00e7\u00e3o dos dons espirituais, em Hb 5.14 se referindo \u00e0 caracter\u00edstica de um crist\u00e3o maduro na f\u00e9 e em Rm 14.1 dizendo para que n\u00e3o julguemos (condenemos) os fracos na f\u00e9.<\/p>\n<p>Vine acrescenta, ainda, outra palavra, o adjetivo <em>kritik\u00f3s<\/em>, cujo sentido \u00e9 relativo a ju\u00edzo, discernimento.<a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a>Strong tamb\u00e9m comenta que esta palavra faz alus\u00e3o a julgamento, aptid\u00e3o ou habilidade para julgar, discernir.<a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_edn3\" name=\"_ednref3\">[3]<\/a> Esta \u00e9 a palavra empregada no texto de Hebreus 4:12: \u201cPorque a Palavra de Deus \u00e9 viva e eficaz, (\u2026) e apta para <em>discernir<\/em> os pensamentos e prop\u00f3sitos do cora\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Como podemos verificar, nosso adjetivo \u201ccr\u00edtico\u201d deriva-se da mesma raiz. Normalmente olhamos para essa palavra em seu sentido pejorativo e assimilamos a pessoas que sempre reclamam ou que constantemente observam os defeitos e falhas.<\/p>\n<p>Entretanto, \u201ccr\u00edtico\u201d vem de \u201ccrit\u00e9rio\u201d. Um cr\u00edtico de cinema, por exemplo, precisa realizar sua an\u00e1lise baseado em crit\u00e9rios pr\u00e9-estabelecidos. Somente desta forma, ele poder\u00e1 realizar uma boa avalia\u00e7\u00e3o e chegar a um veredicto consistente acerca dos pr\u00f3s e contras da obra cinematogr\u00e1fica.<\/p>\n<p>Outro exemplo simples pode ser usado na figura de uma dona de casa que vai \u00e0 feira comprar tomates. Ela sabe que n\u00e3o deve comprar qualquer um que esteja \u00e0 sua frente. Possui crit\u00e9rios de escolha, de seletividade. Os que est\u00e3o muito maduros ficam no estoque do vendedor, pois correm o risco de estragarem antes de serem aproveitados por esta mulher. Em contrapartida, os que est\u00e3o num estado intermedi\u00e1rio, isto \u00e9, nem t\u00e3o verde e nem t\u00e3o maduros ser\u00e3o mais provavelmente os escolhidos na compra.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 partindo do mesmo pressuposto que se escolhe o feij\u00e3o que ser\u00e1 consumido? Destarte, o ensino paulino \u00e9 que julguemos todas as coisas, retendo o que \u00e9 bom (1 Ts 5.21).<\/p>\n<h2>O Julgamento Hip\u00f3crita<\/h2>\n<p>Normalmente s\u00e3o usadas duas passagens b\u00edblicas para contestar o trabalho apologista das Escrituras em contraste com um ensino heterodoxo: Mt 7.1-5 e 1 Cr 16.22.<\/p>\n<p>Analisaremos em separado os dois assuntos em se\u00e7\u00f5es individuais. Nesta primeira comentaremos sobre o que Jesus proferiu em um dos trechos de Seu conhecido Serm\u00e3o da Montanha (Mt 5-7).<\/p>\n<p>Mateus 7.1-5, portanto, diz o seguinte: \u201cN\u00e3o julgueis, para que n\u00e3o sejais julgados. Porque com o ju\u00edzo com que julgais, sereis julgados; e com a medida com que medis vos medir\u00e3o a v\u00f3s. E por que v\u00eas o argueiro no olho do teu irm\u00e3o, e n\u00e3o reparas na trave que est\u00e1 no teu olho? Ou como dir\u00e1s a teu irm\u00e3o: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu? Hip\u00f3crita! tira primeiro a trave do teu olho; e ent\u00e3o ver\u00e1s bem para tirar o argueiro do olho do teu irm\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Tal passagem \u00e9 constantemente utilizada na tentativa de encerrar uma discuss\u00e3o (no bom sentido da palavra) doutrin\u00e1ria. Quem se utiliza do texto supracitado entende que os apologistas est\u00e3o julgando personalidades e\/ou lideran\u00e7as carism\u00e1ticas.<a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_edn4\" name=\"_ednref4\">[4]<\/a><\/p>\n<p>O texto \u00e9 bem claro nos dizeres de Jesus. N\u00e3o devemos julgar as pessoas como se f\u00f4ssemos mais especiais, com ar de superioridade, falsa santidade, arrog\u00e2ncia, vaidade, orgulho ou vangl\u00f3ria.<\/p>\n<p>Muitas pessoas olham para terceiros e esquecem de averiguar seus pr\u00f3prios erros. Os fariseus eram duramente criticados por tal postura hip\u00f3crita.<\/p>\n<p>Analisando Mt 7.1, Kuiper diz que \u201c\u00e9 claro que Jesus aqui pro\u00edbe o julgamento. A quest\u00e3o, contudo, \u00e9 se Jesus pro\u00edbe <em>todo<\/em> julgamento, ou somente <em>certo tipo<\/em> de julgamento.\u201d<a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_edn5\" name=\"_ednref5\">[5]<\/a><\/p>\n<p>Para obtermos a resposta para essa quest\u00e3o, devemos observar uma das regras de hermen\u00eautica: olhar o texto dentro de seu contexto. Se assim o fizermos, poderemos constatar dois pontos.<\/p>\n<p>Primeiro ponto: Jesus n\u00e3o est\u00e1 proibindo <em>todo<\/em> julgamento, mas o julgamento hip\u00f3crita. N\u00e3o podemos ignorar nossos pecados e condenar deliberadamente outras pessoas.<\/p>\n<p>Jesus contou uma par\u00e1bola em Lc 18.9-14 referindo-se a tal pr\u00e1tica anticrist\u00e3. Dirigiam-se para ora\u00e7\u00e3o um fariseu (\u00edcone religioso de seus dias) e um publicano (\u00edcone dos pecadores). O primeiro agradecia a Deus por n\u00e3o ser como aquele cobrador de impostos e tampouco como outras classes de pecadores, a saber, ladr\u00f5es, injustos e ad\u00falteros. N\u00e3o obstante, ele era um dizimista fiel.<\/p>\n<p>Num olhar aparente e externo, o religioso era um modelo a ser seguido. Entretanto, o outro homem reconheceu seu lugar de pecador. Neste estado, ele confessava sua necessidade da miseric\u00f3rdia e gra\u00e7a divina, bem como sua posi\u00e7\u00e3o de criatura diante do Soberano Criador. Ele n\u00e3o se auto justificava com uma falsa piedade, antes, reconhecia ser indigno de um simples olhar para o c\u00e9u.<\/p>\n<p>O que aquele fariseu n\u00e3o percebeu era que, a confian\u00e7a depositada em suas pr\u00f3prias obras havia se tornado como uma trave que cegava seus olhos, fazendo dele um \u201ccrente\u201d nominal, ao passo que o publicano, realmente pecador, reconhecia esse fato, professando depend\u00eancia em Deus e n\u00e3o em si mesmo. Essa sinceridade lhe fazia ter um cisco nos olhos se comparado ao fariseu, que se achava \u201csantarr\u00e3o\u201d, mas na verdade era um in\u00edquo enrustido.<\/p>\n<p>Segundo ponto: considerando que Jesus estava no meio de um serm\u00e3o o qual tratou de diversos assuntos, Ele ainda comentou sobre a necessidade de \u201cjulgarmos\u201d os falsos profetas.<\/p>\n<p>Embora \u201cjulgar\u201d n\u00e3o seja a palavra usada no contexto da passagem de Mt 7.15-23, podemos raciocinar desta forma. Nos versos que precedem este trecho, Jesus alerta sobre o perigo de se seguir um caminho largo, pois seu final \u00e9 a perdi\u00e7\u00e3o eterna.<\/p>\n<p>Na sequencia, Cristo alerta sobre a prud\u00eancia em nos guardarmos dos falsos profetas. N\u00e3o seria uma insinua\u00e7\u00e3o de que estes conduzem seus seguidores por este caminho largo e espa\u00e7oso? De qualquer forma, ficou o alerta. Devemos nos precaver e o meio pelo qual os identificaremos se d\u00e1 por meio de um crit\u00e9rio anal\u00edtico de seus frutos: \u201cPelos seus frutos os conhecereis\u201d (Mt 7.16a). Fica claro que precisamos aperfei\u00e7oar nosso senso <em>kritik\u00f3s<\/em>, afinal, os tomates \u201cprof\u00e9ticos\u201d est\u00e3o fresquinhos ou estragados?<\/p>\n<h2>N\u00e3o toqueis nos meus ungidos<\/h2>\n<p>A outra express\u00e3o utilizada com maior frequ\u00eancia \u00e9 \u201cn\u00e3o toqueis nos meus ungidos\u201d. Ela est\u00e1 baseada nas passagens de 1 Cr 16.22 e Sl 105.15.<\/p>\n<p>H\u00e1, ainda, o epis\u00f3dio de Davi quando se escondeu numa caverna. Naquela ocasi\u00e3o, ele estava sendo perseguido por Saul h\u00e1 um tempo consider\u00e1vel e optou por fugir do rei e de seus homens. No meio dessa fuga, Davi se escondeu aguardando que Saul se fosse com seus homens.<\/p>\n<p>Para sua surpresa, o rei precisava aliviar o ventre e foi justamente ao esconderijo em Davi se emcontrava. Enquanto Saul fazia suas necessidades, teve um peda\u00e7o da orla de seu manto cortado sem que percebesse.<\/p>\n<p>Os homens que estavam com Davi at\u00e9 o incentivaram a se aproveitar da oportunidade, mas ap\u00f3s obter um peda\u00e7o do manto de Saul, o jovem foragido acabou ficando com remorso e declarou a seus homens: \u201cO Senhor me guarde de que eu fa\u00e7a tal coisa ao meu senhor, ao ungido do Senhor, que eu estenda a minha m\u00e3o contra ele, pois \u00e9 o ungido do Senhor\u201d (1 Sm 24.6).<\/p>\n<p>Dessa forma, alguns evang\u00e9licos entendem que este \u00e9 um princ\u00edpio b\u00edblico no tocante aos cuidados que devemos ter com os pastores e l\u00edderes de nossas igrejas.<\/p>\n<p>Contradizer, discordar, questionar ou criticar os pastores, ap\u00f3stolos, bispos, patriarcas ou qualquer outra categoria de \u201cungidos\u201d de Deus seria um delito espiritual. \u00c9 como se a un\u00e7\u00e3o de Deus fosse um ato de imunidade para tais l\u00edderes e o n\u00e3o cumprimento desse dever implicaria em consequ\u00eancias desastrosas para os transgressores.<\/p>\n<p>Este conceito tomou corpo no meio evang\u00e9lico e algumas pessoas preferem omitir suas opini\u00f5es com medo de repres\u00e1lias ou at\u00e9 mesmo da ira divina caso questione a postura pastoral.<\/p>\n<p>Obviamente que n\u00e3o estamos aqui incentivando o desrespeito e a insubmiss\u00e3o \u00e0s autoridades eclesi\u00e1sticas. De modo nenhum! Antes, queremos demonstrar que tais conceitos s\u00e3o biblicamente deturpados e n\u00e3o podem servir para acobertar falhas morais e teol\u00f3gicas de determinadas lideran\u00e7as evang\u00e9licas.<\/p>\n<p>No caso do \u201cungido do Senhor\u201d podemos ver algumas inverdades que v\u00eam sendo propagadas.<\/p>\n<p>Primeira inverdade: os ungidos s\u00e3o os l\u00edderes eclesi\u00e1sticos. Isso se d\u00e1 porque n\u00e3o h\u00e1 nenhuma liga\u00e7\u00e3o entre o cargo do rei com os of\u00edcios eclesi\u00e1sticos.<\/p>\n<p>Como explica Nicodemus, a express\u00e3o \u201cungido do Senhor\u201d \u00e9 usada na B\u00edblia em refer\u00eancia aos reis de Israel que \u201ceram oficialmente escolhidos e designados por Deus para ocupar o cargo mediante a un\u00e7\u00e3o feita por um juiz ou profeta. Na ocasi\u00e3o era derramado \u00f3leo sobre sua cabe\u00e7a para separ\u00e1-lo para o cargo\u201d.<a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_edn6\" name=\"_ednref6\">[6]<\/a><\/p>\n<p>Embora algumas denomina\u00e7\u00f5es at\u00e9 utilizem de \u00f3leo para ungir seus pastores ou bispos em consagra\u00e7\u00f5es ou at\u00e9 mesmo nas cerim\u00f4nias de ordena\u00e7\u00e3o, a express\u00e3o veterotestament\u00e1ria \u201cungido\u201d, referindo-se a l\u00edderes evang\u00e9licos, n\u00e3o encontra paralelo no Novo Testamento.<\/p>\n<p>Os Ap\u00f3stolos n\u00e3o tiveram nenhuma cerim\u00f4nia de un\u00e7\u00e3o com Jesus, os di\u00e1conos tampouco com os Ap\u00f3stolos, Paulo n\u00e3o descreve esse ritual para o comissionamento dos obreiros, enfim, sendo assim n\u00e3o podemos tra\u00e7ar tal paralelo.<\/p>\n<p>Em contrapartida, os crentes em geral e n\u00e3o apenas l\u00edderes, s\u00e3o sim ungidos de Deus, selados com o Esp\u00edrito Santo, o penhor de nossa salva\u00e7\u00e3o (2 Co 1.21,22; 1 Jo 2.20).<\/p>\n<p>Segunda inverdade: n\u00e3o toqueis se refere a discordar, questionar, reprender, etc. Como j\u00e1 foi declarado, a proposta desse cap\u00edtulo n\u00e3o \u00e9 fomentar um desrespeito pelas autoridades eclesi\u00e1sticas. Afinal, a B\u00edblia nos ensina: \u201cObedecei a vossos guias, sendo-lhes submissos; porque velam por vossas almas como quem h\u00e1 de prestar contas delas\u201d (Hb 13.17).<\/p>\n<p>Podemos citar v\u00e1rias outras passagens que incentivam de forma saud\u00e1vel a honra aos nossos l\u00edderes (Mt 10.40; Rm 15.30; 1 Co 4.1; 16.16; 2 Co 1.11; Gl 4.14; Ef 6.19; Fp 2.29; 3.17; 1 Ts 5.13; 1 Tm 4.12; 5.17; Hb 13.7).<\/p>\n<p>O que est\u00e1 em quest\u00e3o \u00e9 a proposta enganadora de sujeitar e manipular os fi\u00e9is sob um falso discurso de submiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Se voltarmos ao epis\u00f3dio de Davi na caverna, perceberemos que ele n\u00e3o tocou no \u201cungido do Senhor\u201d, isto \u00e9, n\u00e3o o feriu, machucou, espancou ou matou. Todavia, \u00e9 n\u00edtido que Davi repreendeu Saul por sua injusti\u00e7a e falta com a verdade, al\u00e9m de colocar a causa que o afligia nas m\u00e3os do \u00fanico que pode intervir com perfeita justi\u00e7a (cf 1 Sm 24.8-12).<\/p>\n<p>Romeiro explica essa situa\u00e7\u00e3o dizendo que as passagens referentes \u00e0 express\u00e3o em an\u00e1lise \u201cn\u00e3o se referem a um questionamento \u00e9tico ou doutrin\u00e1rio do l\u00edder, mas a algum perigo para a integridade f\u00edsica de um ungido de Deus\u201d<a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_edn7\" name=\"_ednref7\">[7]<\/a><\/p>\n<p>Podemos ver um caso semelhante ao de Davi no epis\u00f3dio de Abra\u00e3o em Gerar. Nesta ocasi\u00e3o, o patriarca contou a meia verdade de que Sara era sua irm\u00e3, temendo a Abimeleque. Este at\u00e9 tomou Sara, mas foi avisado em sonho que seria punido caso tomasse-a por esposa.<\/p>\n<p>Apesar de Deus ter proibido Abimeleque de tocar no profeta e ungido do Senhor, ou seja, de causar-lhe algum dano f\u00edsico, ele n\u00e3o hesitou em repreender Abra\u00e3o por ter-lhe mentido: \u201cQue \u00e9 que nos fizeste? E em que pequei contra ti, para trazeres sobre mim o sobre o meu reino tamanho pecado? Tu me fizeste o que n\u00e3o se deve fazer (\u2026) Com que inten\u00e7\u00e3o fizeste isto?\u201d (Gn 20.9,10).<\/p>\n<p>Recorrendo \u00e0 Igreja Primitiva, vamos perceber que \u201cnunca os ap\u00f3stolos de Jesus Cristo apelaram para a \u2018imunidade da un\u00e7\u00e3o\u2019 quando foram acusados, perseguidos e vilipendiados pelos pr\u00f3prios crentes\u201d.<a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_edn8\" name=\"_ednref8\">[8]<\/a><\/p>\n<h2>O julgamento b\u00edblico<\/h2>\n<p>Afinal de contas, devemos ou n\u00e3o julgar? O que a b\u00edblia diz, portanto, sobre esse assunto? Veremos doravante alguns conceitos firmados pela Palavra de Deus.<\/p>\n<p>Conforme j\u00e1 vimos, somos exortados a exercer o nosso discernimento. Paulo disse que devemos julgar todas as coisas e reter o que \u00e9 bom (1 Ts 5.21). Este julgar n\u00e3o diz respeito a conjecturar ou especular a salva\u00e7\u00e3o de terceiros. Vale ressaltar outro ponto importante. H\u00e1 uma enorme diferen\u00e7a entre julgar e condenar. Talvez seja este o maior temor que algumas pessoas enfrentam ao se deparar com livros ou artigos de apolog\u00e9tica crist\u00e3.<\/p>\n<p>Kuiper explica que, \u201cjulgar e condenar s\u00e3o duas coisas distintas, relacionadas, mas n\u00e3o id\u00eanticas\u201d. Em seguida, ele exemplifica essa afirma\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do caso da mulher ad\u00faltera em Jo 8, mostrando que, \u201cJesus de fato julga esta mulher, mas n\u00e3o a condena. Ao dizer-lhe \u2018v\u00e1 e n\u00e3o peques mais\u2019, Jesus indica que ela <em>tinha<\/em> pecado. Em si mesma, a acusa\u00e7\u00e3o dos fariseus estava correta, e Jesus julgou o pecado como sendo pecado (\u2026) Embora Jesus tenha julgado a mulher, ele n\u00e3o a condenou\u201d.<a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_edn9\" name=\"_ednref9\">[9]<\/a><\/p>\n<p>Como bem lembra Romeiro, quando Paulo chegou a Ber\u00e9ia, j\u00e1 possu\u00eda um curr\u00edculo bem respeitado e at\u00e9 invej\u00e1vel. Ele havia estudado com um mestre renomado de sua \u00e9poca, Gamaliel, e desfruta\u00adva da confian\u00e7a das autoridades que lhe deram autoriza\u00e7\u00e3o para perseguir os crist\u00e3os, al\u00e9m de ter passado por uma conver\u00ads\u00e3o fant\u00e1stica.<a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_edn10\" name=\"_ednref10\">[10]<\/a><\/p>\n<p>Apesar de tudo isso, os bereanos exerceram o ju\u00edzo enquanto Paulo e Silas lhes anunciavam as boas novas. Lemos em Atos 17.11 que eles \u201creceberam a palavra com toda avidez, examinando diariamente as Escrituras para ver se estas coisas eram assim\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 como se o Ap\u00f3stolo dos gentios fizesse uma cita\u00e7\u00e3o messi\u00e2nica de Isa\u00edas, por exemplo, e os ouvintes de Ber\u00e9ia procurassem na Escritura Sagrada, a fim de confrontar com o ensino paulino.<\/p>\n<p>Encontramos, ainda, as advert\u00eancias do Ap\u00f3stolo Jo\u00e3o sobre o cuidado com heresias propagadas por pessoas que \u201cn\u00e3o eram dos nossos; porque, se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco; mas todos eles sa\u00edram para que se manifestasse que n\u00e3o s\u00e3o dos nossos\u201d (1 Jo 2.19).<\/p>\n<p>Sendo assim, Jo\u00e3o afirma \u00e0 Igreja que n\u00e3o desse cr\u00e9dito a qualquer pregador, \u201cmas provai se os esp\u00edritos v\u00eam de Deus; porque muitos falsos profetas t\u00eam sa\u00eddo pelo mundo\u201d (1 Jo 4.1).<\/p>\n<p>Estes falsos profetas , gn\u00f3sticos como chamamos hoje, estavam ensinando heresias cristol\u00f3gicas, negando a natureza humana de Cristo. Seus ensinos eram m\u00edsticos e misteriosos e eles alegavam uma revela\u00e7\u00e3o especial para suas doutrinas.<\/p>\n<p>Como diferenciar, ent\u00e3o, um pregador crist\u00e3o de um gn\u00f3stico? A Igreja deveria julgar o ensino do mesmo: \u201cNisto conheceis o Esp\u00edrito de Deus: todo esp\u00edrito que confessa que Jesus Cristo veio em carne \u00e9 de Deus; e todo esp\u00edrito que n\u00e3o confessa a Jesus n\u00e3o \u00e9 de Deus; mas \u00e9 o esp\u00edrito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que havia de vir; e agora j\u00e1 est\u00e1 no mundo.\u201d (1 Jo 4.2,3).<\/p>\n<p>Outra controv\u00e9rsia que a Igreja enfrentou em seus primeiros anos foi a dos judaizantes. Alguns fariseus que passaram a professar a f\u00e9 crist\u00e3, n\u00e3o se contentaram com a simplicidade do Evangelho e n\u00e3o quiseram abrir m\u00e3o de alguns aspectos do juda\u00edsmo farisaico e fizeram de tudo para misturar o Evangelho puro e simples com a Lei de Mois\u00e9s.<\/p>\n<p>Essa controv\u00e9rsia trouxe s\u00e9rios aborrecimentos ao Ap\u00f3stolo Paulo, o qual exortou irm\u00e3os que estavam deixando a doutrina de Cristo para ir ap\u00f3s outro evangelho em sua carta aos g\u00e1latas. Uma mensagem diferente da mensagem de Cristo deveria ser descartada, ainda que fosse pregada por anjos ou qualquer ap\u00f3stolo (Gl 1.8).<\/p>\n<p>As principais religi\u00f5es judaicas do primeiro s\u00e9culo da era crist\u00e3 eram os fariseus, saduceus, zelotes e ess\u00eanios. Cada um desses grupos tinham costumes que lhes eram pr\u00f3prios e com a prolifera\u00e7\u00e3o do cristianismo para os gentios, houve um grande choque cultural entre estes e os judeus, os quais quiseram impor a continua\u00e7\u00e3o da circuncis\u00e3o.<\/p>\n<p>Esta discrep\u00e2ncia doutrin\u00e1ria trouxe uma discuss\u00e3o acalorada entre Paulo, Silas e os fariseus rec\u00e9m-convertidos. Tal controv\u00e9rsia s\u00f3 p\u00f4de ser apaziguada em uma reuni\u00e3o conciliat\u00f3ria em Jerusal\u00e9m por volta do ano 51. d.C. (cf At 15).<\/p>\n<p>Esse problema judaizante ainda teve outras repercuss\u00f5es. Paulo chegou a ter uma leve desaven\u00e7a com Pedro por conta de um posicionamento mais expl\u00edcito e chegou at\u00e9 mesmo a repreend\u00ea-lo (Gl 2.11-21).<\/p>\n<p>Houve julgamento (peneiramento, distin\u00e7\u00e3o, sele\u00e7\u00e3o, separa\u00e7\u00e3o e decis\u00e3o) neste encontro de Paulo em Antioquia. N\u00e3o dava para seguir dois evangelhos, um da circuncis\u00e3o e outro da gra\u00e7a.<\/p>\n<p>Mas isso n\u00e3o \u00e9 uma falta de amor ou um ato faccioso? De forma alguma, o pr\u00f3prio Paulo deixou claro que, o amor n\u00e3o se alegra com a injusti\u00e7a e sim com a verdade (1 Co 13.6). Seria muito f\u00e1cil defendermos um falso amor baseado numa falsa toler\u00e2ncia. Por\u00e9m, isso n\u00e3o seria o amor b\u00edblico, mas um ecumenismo de \u201cteologias\u201d variadas.<\/p>\n<p>Apesar de todas essas bases b\u00edblicas, muitos l\u00edderes n\u00e3o t\u00eam abertura para uma discuss\u00e3o teol\u00f3gica. Preferem permanecer no erro ao inv\u00e9s de dar o bra\u00e7o a torcer humildemente. Mesmo sabendo disso, Paulo lutou pela sanidade do evangelho. Aos que n\u00e3o aceitavam suas ideias, ele perguntava: \u201cTornei-me acaso vosso inimigo, porque vos disse a verdade?\u201d (Gl 4.16).<\/p>\n<h2>O julgamento na hist\u00f3ria da Igreja<\/h2>\n<p>A B\u00edblia trata do car\u00e1ter apolog\u00e9tico das doutrinas centrais da f\u00e9 crist\u00e3 em praticamente todos os seus livros do Novo Testamento. Desde a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, muitas heresias se introduziram no meio da Igreja. Embora os Ap\u00f3stolos, os pais apost\u00f3licos, os pais apologistas e os pais polemistas tenham lutado pela f\u00e9 que uma vez nos foi dada, alguns resqu\u00edcios dessas falsas doutrinas permaneceram e\/ou evolu\u00edram para os s\u00e9culos posteriores.<\/p>\n<p>Na presente era da Igreja, encontramos esses res\u00edduos primitivos em conceitos teol\u00f3gicos profundamente equivocados. Os atributos de Deus s\u00e3o confundidos em muitas seitas pseudo-crist\u00e3s. A natureza de Cristo ainda sofre m\u00e1 interpreta\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a Sua divindade e humanidade. O Esp\u00edrito Santo \u00e9 questionado e confundido em alguns grupos religiosos. A doutrina da gra\u00e7a ainda \u00e9 pervertida. O c\u00e2non das Escrituras continua a ser atacado por alguns supostos crist\u00e3os. Certos homens insistem em recosturar o v\u00e9u. A simonia permanece desgra\u00e7ando a autenticidade do cristianismo\u2026 E por a\u00ed vai.<\/p>\n<p>A maioria das heresias ocorre em virtude da \u00eanfase exageradamente m\u00edstica que alguns d\u00e3o \u00e0 religiosidade.<a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_edn11\" name=\"_ednref11\">[11]<\/a> \u00c9 certo que Deus \u00e9 um ser pessoal e que se relaciona com seu povo. Todavia, devemos buscar explica\u00e7\u00f5es para nossas experi\u00eancias \u00e0 luz da Palavra de Deus e n\u00e3o vice-versa.<\/p>\n<p>Berkhof diz que, esta \u201cposi\u00e7\u00e3o deve ser sustentada em oposi\u00e7\u00e3o a todas as classes de m\u00edsticos\u201d, pois eles alegam revela\u00e7\u00f5es especiais, bem como um conhecimento metaf\u00edsico n\u00e3o mediado pela Palavra de Deus, o que pode nos levar \u201ca um oceano de ilimitado subjetivismo\u201d.<a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_edn12\" name=\"_ednref12\">[12]<\/a><\/p>\n<p>Na hist\u00f3ria da Igreja, os primeiros crist\u00e3os precisaram seguir a orienta\u00e7\u00e3o de Judas por in\u00fameras vezes: \u201csenti a necessidade de vos escrever, exortando-vos a pelejar pela f\u00e9 que de uma vez para sempre foi entregue aos santos\u201d (Jd 3).<\/p>\n<p>Os ef\u00e9sios s\u00e3o elogiados por Jesus por n\u00e3o se conformem com um grupo chamado em Apocalipse de Nicola\u00edtas (Ap 2.6,15).<\/p>\n<p>A interpreta\u00e7\u00e3o dessa passagem \u00e9 analisada em pelo menos tr\u00eas perspectivas: 1) eram seguidores de Nicolau, um dos sete que foram designados di\u00e1conos em At 6 e que acabou deixando a ortodoxia; 2) gn\u00f3sticos que queriam se infiltrar na igreja e 3) pessoas que seguiam o ensinamento de falsos Ap\u00f3stolos e de Bala\u00e3o.<a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_edn13\" name=\"_ednref13\">[13]<\/a><\/p>\n<p>Embora n\u00e3o haja consenso sobre a origem dos nicola\u00edtas, sabemos que eles pregavam uma vers\u00e3o inovadoramente imoral do Cristianismo.<\/p>\n<p>Era um evangelho sem exig\u00eancias, liberal e sem proibi\u00e7\u00f5es, no qual queriam gozar o melhor da igreja e o melhor do mundo. Eles incentivavam os crentes a comer comidas sacrificadas aos \u00eddolos e diziam que o sexo antes e fora do casamento n\u00e3o era pecado, estimulando a imoralidade.<a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_edn14\" name=\"_ednref14\">[14]<\/a><\/p>\n<p>Clemente de Alexandria disse que Nicolau (ele cria que fosse um dos sete di\u00e1conos) foi repreendido por se enciumar de sua mulher que era muito bonita. Respondendo a essa reprova\u00e7\u00e3o, ele disse que quem quisesse poderia tom\u00e1-la como esposa, ou seja, ter rela\u00e7\u00f5es sexuais com ela. Clemente acrescenta, ainda, que Nicolau passou a ensinar que os ap\u00f3stolos tinham permitido rela\u00e7\u00f5es prom\u00edscuas e comunit\u00e1rias com as mulheres.<a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_edn15\" name=\"_ednref15\">[15]<\/a><\/p>\n<p>Eus\u00e9bio de Cesar\u00e9ia confirma a cita\u00e7\u00e3o de Clemente em sua hist\u00f3ria eclesi\u00e1stica. Entretanto, alega ter pesquisado sobre a vida de Nicolau e descobriu que, embora este tenha ensinado que \u201ccada um deve ofender a pr\u00f3pria carne\u201d, ele mesmo n\u00e3o viveu com outra mulher a n\u00e3o ser sua esposa, manteve suas filhas em virgindade at\u00e9 idade avan\u00e7ada, bem como seu filho incorrupto. Eus\u00e9bio entende que Nicolau tenha permitido sua mulher se relacionar com outros homens para suprimir sua paix\u00e3o carnal e os prazeres que buscava com tamanho empenho.<a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_edn16\" name=\"_ednref16\">[16]<\/a><\/p>\n<p>Infelizmente, alguns seguiram a pr\u00e1tica nicola\u00edta e se entregaram \u00e0s paix\u00f5es sob a alega\u00e7\u00e3o de que a carne para nada se aproveita. Easton disse que \u201celes se pareciam com uma classe de crist\u00e3os professos, que procuravam introduzir na igreja uma falsa liberdade ou licenciosidade, desta forma abusando da doutrina da Gra\u00e7a ensinada por Paulo\u201d.<a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_edn17\" name=\"_ednref17\">[17]<\/a><\/p>\n<p>A Igreja precisou lidar com muitas heresias no decorrer de sua hist\u00f3ria. Paulo at\u00e9 declarou que, \u201cat\u00e9 importa que haja entre v\u00f3s heresias, para que os que s\u00e3o sinceros se manifestem entre v\u00f3s\u201d (1 Co 11.19 \u2013 ARC).<\/p>\n<p>As heresias faziam separa\u00e7\u00e3o dos verdadeiros crentes \u2013 que buscavam seu estilo de vida no uso da aplica\u00e7\u00e3o correta da s\u00e3 doutrina \u2013 e dos falsos \u2013 que optavam por uma vers\u00e3o incongruente do evangelho.<\/p>\n<p>Podemos ver exemplos da luta doutrin\u00e1ria da Igreja com os manique\u00edstas que davam \u00eanfase num dualismo onde Deus e o diabo eram dotados de poder co-iguais, com o arianismo que negava a natureza divina de Cristo, com os monarquianistas din\u00e2micos (ou adocianistas) que diziam que Cristo tinha assumido a forma divina somente ap\u00f3s o batismo, com os ebionitas que entendiam que Jesus fosse apenas humano; com os docetas que criam que Ele fosse apenas divino e que Seu sofrimento tinha sido apenas simb\u00f3lico; com os eutiquianistas (monofisistas) que ensinavam uma natureza amalgamada da divindade e humanidade de Cristo; com os apolinarianistas que negavam a natureza humana completa de Jesus, alegando que o <em>Logos<\/em> substituiu a alma humana de Cristo; com os sabelianos (monarquianistas modalistas ou somente modalistas) que diziam ser Cristo o segundo modo das tr\u00eas sucessivas manifesta\u00e7\u00f5es de Deus; com os patripassianistas, uma variante desta \u00faltima, que ensinavam que o pr\u00f3prio Pai havia morrido na cruz (patripassianismo).<\/p>\n<p>Embora dezenas de heresias tenham sido citadas aqui, muitas outras ainda ficaram faltando. Algumas por falta de espa\u00e7o, outras por falta de pertin\u00eancia tem\u00e1tica. Contudo, que a Igreja continue utilizando o divino par de lentes que \u201ccoletando-nos na mente conhecimento de Deus de outra sorte confuso, dissipada a escurid\u00e3o, mostra-nos em di\u00e1fana clareza o Deus verdadeiro\u201d,<a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_edn18\" name=\"_ednref18\">[18]<\/a> afinal, \u201cA B\u00edblia, toda a B\u00edblia e nada mais do que a B\u00edblia, \u00e9 a religi\u00e3o da igreja de Cristo.\u201d<a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_edn19\" name=\"_ednref19\">[19]<\/a> Ela \u00e9 efetivamente \u201cabsoluta ou obsoleta\u201d.<a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_edn20\" name=\"_ednref20\">[20]<\/a><\/p>\n<h2>Conselhos pr\u00e1ticos<\/h2>\n<p>Para finalizar esse cap\u00edtulo gostaria de trazer alguns conselhos pr\u00e1ticos para que os crist\u00e3os melhorem seus crit\u00e9rios e exer\u00e7am o discernimento b\u00edblico.<\/p>\n<p>Segundo Romeiro, \u00e9 preciso tomarmos cuidado em pelo menos quatro circunst\u00e2ncias: nas livrarias evang\u00e9licas, nas editoras evang\u00e9licas, na educa\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica e at\u00e9 mesmo ao escolher uma igreja.<a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_edn21\" name=\"_ednref21\">[21]<\/a><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 porque uma livraria se diz evang\u00e9lica que ela possui apenas materiais evang\u00e9licos. Algumas delas vendem produtos de outras religi\u00f5es. Precisamos verificar criteriosamente do que se trata.<\/p>\n<p>Recentemente, um amigo meu me emprestou um livro alegando ser muito bom. Segundo ele, era um \u00f3timo material escatol\u00f3gico que ele havia comprado numa livraria evang\u00e9lica em Juiz de Fora, Minas Gerais. Como ele disse que me traria o livro no dia seguinte, perguntei-lhe, curioso, qual era o autor e ele me respondeu que era Paiva Netto.<\/p>\n<p>Fiquei assustado com a resposta, pois Netto \u00e9 o atual presidente da LBV, um grupo esp\u00edrita. O livro chama-se \u201cApocalipse sem medo\u201d e \u00e9 recheado de heresias. N\u00e3o sei como o meu amigo conseguiu acha-lo bom!<\/p>\n<p>Algumas dicas para se evitar leituras controvertidas, \u00e9 tentar conhecer o autor, saber de que igreja ele \u00e9, qual a sua reputa\u00e7\u00e3o e a afinidade teol\u00f3gica dele com sua denomina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro cuidado se d\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 editora. Longe de querer generalizar, existem algumas que apoiam visivelmente materiais controversos e cujo forte \u00e9 a publica\u00e7\u00e3o de livros de batalha espiritual, demonologia, etc.<\/p>\n<p>Algumas denomina\u00e7\u00f5es possuem editoras espec\u00edficas, como \u00e9 o caso das Assembl\u00e9ias de Deus com a CPAD e a Betel; a Igreja do Nazareno com a CPN; a Metodista Wesleyana com a CPIMW; a Batista com a Editora Batista Regular e a JUERP e a Presbiteriana com a Cultura Crist\u00e3.<\/p>\n<p>H\u00e1, ainda, outras excelentes editoras que n\u00e3o foram citadas, como a Vida Nova, Hagnos e Fiel. De qualquer forma \u00e9 preciso estar atento.<\/p>\n<p>O cuidado na educa\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica tamb\u00e9m \u00e9 muito importante. Muitas pessoas est\u00e3o aderindo a cursos de teologia que n\u00e3o possuem nenhuma integridade.<\/p>\n<p>A grande maioria de cursos teol\u00f3gicos no Brasil \u00e9 sem o reconhecimento do MEC. Isso, todavia, n\u00e3o os desmerece, pois h\u00e1 o reconhecimento denominacional. Antes de fazer algum curso \u00e9 importante verificar a que denomina\u00e7\u00e3o o mesmo \u00e9 ligado, qual a confiss\u00e3o de f\u00e9 e se sua igreja o aprova.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitos cursos prometendo formar um \u201cte\u00f3logo\u201d em alguns meses. Conheci, recentemente, um rapaz que se intitula Doutor em Divindade. Segundo ele, o t\u00edtulo foi conseguido em tr\u00eas anos de estudo, sendo um para o bacharel em Teologia, mais um para o mestrado e mais um para o doutorado.<\/p>\n<p>Cursos como esse, al\u00e9m de manchar a reputa\u00e7\u00e3o dos verdadeiros te\u00f3logos, formam titulados superficiais e que est\u00e3o muito aqu\u00e9m do que se espera deles. Infelizmente, h\u00e1 muitos irm\u00e3os sendo enganados.<\/p>\n<p>Finalmente, fica o alerta para a escolha de uma igreja. Com isso, n\u00e3o estou sugerindo ao amado leitor que mude de denomina\u00e7\u00e3o. No meu caso n\u00e3o houve oportunidades de mudar o sistema gedozista e optei em me desligar de meu primeiro minist\u00e9rio. Sa\u00ed de l\u00e1 amigavelmente e a escolha seguinte seria muito s\u00e9ria. Eu precisava ser criterioso antes de tomar a decis\u00e3o de qual denomina\u00e7\u00e3o me filiaria.<\/p>\n<p>Romeiro d\u00e1 algumas dicas nesse sentido: 1) compromisso em ensinar a B\u00edblia de forma s\u00e9ria e equilibrada; 2) prefer\u00eancia por igrejas filiadas ao inv\u00e9s de independentes; 3) declara\u00e7\u00e3o de f\u00e9 consistente; 4) presta\u00e7\u00f5es de conta e uso respons\u00e1vel dos recursos e 5) denomina\u00e7\u00e3o e lideran\u00e7a moralmente id\u00f4neas.<a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_edn22\" name=\"_ednref22\">[22]<\/a><\/p>\n<p>Meu desejo \u00e9 que esse livro sirva para mover o cora\u00e7\u00e3o de l\u00edderes a uma mudan\u00e7a positiva, a uma volta ao cristianismo puro e simples. Ao inv\u00e9s de dissid\u00eancias e separa\u00e7\u00f5es, que haja humildade para consertar o que vem prejudicando o aut\u00eantico Evangelho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Notas<\/strong><\/p>\n<p>* Trecho do livro \u201cA Verdade Sobre o G-12\u2033, de autoria de Vinicius Couto.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a> BROMILEY, Geoffrey W. (Ed.). <em>The International Standard Bible Encyclopedia<\/em>. Grand Rapids, Michigan, 1979, vol.l, p. 947.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a> VINE, W. E. <em>Dicion\u00e1rio Exeg\u00e9tico e Expositivo<\/em>. CPAD. Rio de Janeiro, 2009, p. 568.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_ednref3\" name=\"_edn3\">[3]<\/a> STRONG, James. <em>Nueva Concordancia Strong Exhaustiva<\/em>. Editorial Caribe. Nashville, 2002, p. 605.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_ednref4\" name=\"_edn4\">[4]<\/a> Entenda-se carism\u00e1tico como uma pessoa que tem a atratividade de um p\u00fablico em geral. N\u00e3o confundir com o movimento carism\u00e1tico.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_ednref5\" name=\"_edn5\">[5]<\/a> KUIPER, Doug. <em>Julgar: o dever de todo crist\u00e3o<\/em>. Byron Center Protestant Reformed. Michigan, 1999, p. 13.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_ednref6\" name=\"_edn6\">[6]<\/a> NICODEMUS, Augustus. <em>Como entender a ordem para n\u00e3o tocar no ungido do Senhor? <\/em>Revista Defesa da F\u00e9. Ano 13, n\u00b0104 \u2013 Julho\/Agosto de 2013, p.64 .<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_ednref7\" name=\"_edn7\">[7]<\/a> ROMEIRO, Paulo.<em> Evang\u00e9licos em Crise<\/em>. S\u00e3o Paulo: Mundo Crist\u00e3o, 1999, p. 41.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_ednref8\" name=\"_edn8\">[8]<\/a> NICODEMUS, Augustus, Op. Cit., p. 65.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_ednref9\" name=\"_edn9\">[9]<\/a> KUIPER, Doug. Op. Cit., p. 14.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_ednref10\" name=\"_edn10\">[10]<\/a> ROMEIRO, Paulo. Op. Cit., p. 202.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_ednref11\" name=\"_edn11\">[11]<\/a> BREESE, Dave. <em>Conhe\u00e7a as marcas das seitas<\/em>. Fiel, 2001, pp.18-22<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_ednref12\" name=\"_edn12\">[12]<\/a> BERKHOF, Louis. <em>Teologia Sistem\u00e1tica<\/em>. Cultura Crist\u00e3, 2012, p.614.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_ednref13\" name=\"_edn13\">[13]<\/a> KISTEMAKER, Simon. <em>Coment\u00e1rio do Novo Testamento: Apocalipse<\/em>. Cultura Crist\u00e3, 2004, pp. 158-159.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_ednref14\" name=\"_edn14\">[14]<\/a> LOPES, Hernandes Dias. <em>Coment\u00e1rio b\u00edblico expositivo de Apocalipse<\/em>. Hagnos, 2005, p. 21.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_ednref15\" name=\"_edn15\">[15]<\/a> CLEMENTE, Tito Fl\u00e1vio. <em>Stromata <\/em>3.4.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_ednref16\" name=\"_edn16\">[16]<\/a> CESAREIA, Eus\u00e9bio de. <em>Hist\u00f3ria Eclesi\u00e1stica<\/em>. CPAD, 1999, pp. 107-108.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_ednref17\" name=\"_edn17\">[17]<\/a> EASTON, George. <em>Easton\u2019s Bible Dictionary<\/em>: Nicolaitanes. Thomas Nelson, 1897.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_ednref18\" name=\"_edn18\">[18]<\/a> CALVINO, Jo\u00e3o. <em>Institutas<\/em>. I, VI, 1.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_ednref19\" name=\"_edn19\">[19]<\/a> SPURGEON apud BLANCHARD, John. P\u00e9rolas para a vida. Edi\u00e7\u00f5es Vida Nova, 1993.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_ednref20\" name=\"_edn20\">[20]<\/a> HAVNER apud BLANCHARD, John. Op. Cit.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_ednref21\" name=\"_edn21\">[21]<\/a> ROMEIRO, Paulo. Op. Cit., pp. 194-205.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/devemos-nao-julgar\/#_ednref22\" name=\"_edn22\">[22]<\/a> Ibid, pp. 199-205.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"ttl\">\n<h3 class=\"sl\">autor(a)<\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"bio\"><a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/vinicius-couto\/\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/assets.gospelprime.com.br\/articulistas\/100x80xvinicius-couto.jpg.pagespeed.ic.-_8rQdhUaS.webp\" alt=\"Vinicius Couto\" width=\"100\" height=\"80\" \/><\/a><\/p>\n<h4>Vinicius Couto<\/h4>\n<p>Pastor, te\u00f3logo, professor, escritor e pesquisador. Graduou-se em Administra\u00e7\u00e3o de Empresas pela Universidade Castelo Branco e em Teologia pela FaeteSF. Possui p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias da Religi\u00e3o pela Universidade C\u00e2ndido Mendes e em Hist\u00f3ria da Teologia pela FaeteSF. \u00c9, ainda, pastor titular da Igreja do Nazareno em MG e autor dos livros \u201cOs tr\u00eas Choros de Jos\u00e9 do Egito\u201d, \u201cA Verdade Sobre o G-12\u201d e &#8220;Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Teologia Arm\u00ednio-wesleyana&#8221;.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/estudos.gospelprime.com.br\/vinicius-couto\/\">+ artigos<\/a> &#8211; <a title=\"\" href=\"http:\/\/facebook.com\/PrViniciusCouto\" target=\"_blank\" rel=\"external\">facebook<\/a> &#8211; <a title=\"\" href=\"http:\/\/prviniciuscouto.blogspot.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"external\">blog<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Significado de julgar Sempre ouvimos express\u00f5es como \u201cn\u00e3o toqueis nos meus ungidos\u201d, \u201cn\u00e3o julgueis para n\u00e3o serdes julgados\u201d, 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