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África é o continente mais perigoso para missionários cristãos


Apesar da perseguição, 440 mil missionários cristãos atuaram pelo mundo em 2018

A atividade missionária é uma das mais perigosas e a mais apaixonante, de acordo com aqueles que se sentem vocacionados para levar adiante a recomendação bíblica feita por Jesus em Mateus 16:15, que diz “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura.” Continentes como África e países como a China têm sido destacados como os mais hostis para as atividades missionária e evangelística cristãs.

No ano passado, centenas de denúncias foram feitas sobre perseguições, prisões e assassinatos de cristãos no mundo por diversos órgãos internacionais que acompanham o trabalho missionário.

De acordo com o Centro Global de Estudos sobre Cristianismo, havia cerca de 440 mil missionários cristãos atuando pelo mundo em 2018. 

Esse número inclui católicos, protestantes, cristãos ortodoxos e grupos americanos como as testemunhas de Jeová e os mórmons.

No último dia de dezembro, a agência de notícias Fides apresentou um balanço onde a África aparece como a região mais perigosa para os missionários católicos.  “O continente ultrapassou a América Latina como a região mais mortal para os missionários católicos”, relatou a Fides.

Segundo a agência, “muitos missionários perderam suas vidas durante tentativas de assaltos e roubos, ferozmente cometidos, em contextos sociais empobrecidos e degradados, onde a violência é a regra da vida, a autoridade do Estado era deficiente ou enfraquecida pela corrupção e pelos compromissos, ou onde a religião é usada para outros fins”.

O campo missionário evangélico na África também tem sofrido ataques e baixas. Na Nigéria, há forte perseguição aos cristãos e suas famílias. De acordo com levantamentos, militantes Fulani devem continuar com ataques devastadores contra cristãos no norte e no centro do país. Só nos primeiros seis meses de 2018, eles mataram até 6.000 pessoas e levaram 50.000 de suas casas.

Ataques

Os ataques aos cristãos são feitos por governos, por grupos religiosos dominantes e muitos ficam sem identificação. É o caso do assassinato de um missionário americano de Indiana (EUA), que foi morto a tiros 12 dias depois que sua família – esposa e oito filhos – se mudou para Camarões, país da África central.

As autoridades camaronesas dizem que a autópsia determinou que ele foi morto por munição comumente usada pelos separatistas. Eles insistem que todas as evidências apontam para os combatentes pró-independência.

A agência Fides relata que durante 2018, 40 missionários católicos foram mortos em todo o mundo, contra 23 no ano anterior. Destes 35 eram sacerdotes, com um seminarista e quatro leigos.

A África viu 21 mortes, 19 delas padres. Na América Latina, 15 morreram, 12 deles padres; na Ásia, três padres e a Europa um.

O ICG (International Crisis Group) informou que cerca de 12 mil pessoas foram mortas entre 2011 e 2016 e que nos primeiros seis meses de 2018, 1.300 pessoas perderam a vida.

O Índice Global de Terrorismo 2018 reconhece que houve um “aumento dramático na violência envolvendo extremistas Fulani” nos últimos 12 meses. Segundo ele, cerca de 1.700 mortes violentas foram atribuídas à “Milícia Étnica Fulani” entre janeiro e setembro de 2018. Ele disse que houve 2.998 mortes atribuídas a Fulani desde 2010.

Campo missionário

A África continua sendo um formidável campo missionário por se tratar do continente mais pobre do mundo. Na lista feita pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) cujo ranking é organizado conforme o PIB (Produto Interno Bruto) per capita, dos 20 países mais pobres, 19 estão no continente africano. O primeiro é a República Centro-Africana.

O Guiame conheceu de perto a realidade africana em Uganda, através do Projeto Daniel e no Malawi, através da Missão Mãos Estendidas (MME). Em entrevista ao Guiame, o pastor Elias Caetano, MME, falou sobre o trabalho feito em regiões de extrema pobreza na África, onde a organização tem mais de 300 igrejas.

De acordo com Marcos Corrêa, diretor do Portal Guiame, que foi conhecer a região, “tudo que se refere aos cristãos no campo missionário na África traz muito sofrimento”.

Perspectivas difíceis

A Release International (ministério cristão interdenominacional que trabalha em parceria com igrejas em mais de 25 países, ajudando os cristãos perseguidos) alertou que a perseguição aos cristãos em todo o mundo deverá aumentar em 2019. Entre os países que ela chama de preocupação particular estão Nigéria, Índia e China.  

A instituição beneficente recebeu uma revisão da perseguição cristã ordenada pelo secretário do Exterior britânico, Jeremy Hunt, e liderada pelo bispo de Truro, Philip Mounstephen. Seu presidente-executivo, Paul Robinson, disse que havia uma “tendência ascendente preocupante” na perseguição e apoiou pedidos para que o Reino Unido faça mais para “apoiar a igreja que sofre em todo o mundo”. Eles contabilizam cerca de 215 milhões de cristãos perseguidos no mundo.

Resultados

Os missionários chegam às regiões africanas com muito mais além de uma agenda espiritual ou ministerial, já que suas incursões acontecem em lugares pobres onde há ausência de quase tudo capaz de proporcionar uma vida digna para as pessoas.

“Os evangelizadores ainda querem pregar, mas hoje em dia eles também constroem hospitais e escolas. Muitos têm projetos sociais significativos”, destaca David Hollinger, professor aposentado da Universidade da Califórnia, em Berkeley.

A paixão missionária não vê obstáculos para que os trabalhos continuem sendo feitos. O motivo é o resultado positivo colhido pelo trabalho nos campos. Em 2017, a igreja disse que foram convertidas 233,7 mil pessoas nessas missões.

Fonte: Guia-me / com informações Christian Today e Fides / Foto: Missão África 

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